O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, encontra com frequência um perfil marcante nas comunidades atendidas: idosos que continuam ativos no mercado de trabalho, quase sempre de forma informal. Afinal, uma parcela significativa dos idosos brasileiros continua trabalhando muito além da aposentadoria, não por escolha, mas por necessidade econômica. No interior do país, especialmente no sertão nordestino, é comum encontrar homens e mulheres acima dos setenta anos realizando trabalho físico intenso no campo ou no comércio informal. Essa realidade tem implicações clínicas que a medicina geriátrica raramente considera.
Neste artigo, você vai entender como o trabalho tardio afeta a saúde do idoso. Acompanhe!
Quais são os riscos específicos do trabalho físico intenso na terceira idade?
O organismo do idoso tem capacidade de recuperação reduzida. Isto é, esforços que seriam toleráveis aos quarenta anos podem ter consequências sérias aos setenta, especialmente quando realizados de forma repetitiva sem períodos adequados de descanso. Lesões musculoesqueléticas que cicatrizam lentamente, agravamento de condições articulares preexistentes, risco elevado de golpe de calor em trabalho ao ar livre e exacerbação de doenças cardiovasculares por esforço excessivo são riscos concretos que afetam esse grupo de forma silenciosa.
De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, o problema mais frequente é a dor musculoesquelética crônica que o idoso trabalhador naturaliza como parte de sua rotina. Em razão disso, dores nas costas, nos joelhos e nos ombros são tratadas com anti-inflamatórios adquiridos por conta própria, sem avaliação médica e sem fisioterapia. O resultado é que esse ciclo de dor não tratada e retorno ao trabalho comprometido tem impacto cumulativo que deteriora progressivamente a saúde do idoso.

No sertão de Quixadá, muitos idosos atendidos pelo Humaniza Sertão chegam às ações do projeto com lesões acumuladas de décadas de trabalho rural que nunca receberam atenção profissional adequada. Para esses pacientes, o atendimento fisioterapêutico do projeto representa frequentemente o primeiro contato com orientação especializada sobre seu corpo e seu trabalho.
Como o cuidado geriátrico se adapta ao idoso que não pode parar?
A resposta clínica começa pelo reconhecimento da realidade. Assim sendo, orientar um idoso que depende economicamente do trabalho físico a simplesmente parar é uma recomendação que não considera seu contexto e que raramente é seguida. O cuidado que respeita a realidade busca reduzir riscos dentro das possibilidades existentes, não impor mudanças inviáveis que o paciente não consegue implementar.
Yuri Silva Portela indica estratégias como orientação sobre pausas regulares, hidratação adequada durante o trabalho e técnicas de proteção articular durante atividades específicas são intervenções práticas que reduzem o risco sem exigir que o idoso abandone sua fonte de renda. A fisioterapia, quando acessível, tem papel fundamental em restaurar a funcionalidade comprometida e orientar sobre a execução mais segura das atividades habituais.
Como o Humaniza Sertão aborda essa realidade?
Conforme destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, adaptar as recomendações clínicas à vida real do idoso é elevar sua eficácia ao garantir que as orientações sejam implementáveis dentro das condições concretas de quem as recebe. Um conselho impossível de seguir não é cuidado; é a distância entre o profissional e a pessoa que ele pretende ajudar.
Cuidar do idoso que trabalha é respeitar sua realidade
O doutor Yuri Silva Portela acredita que o cuidado geriátrico precisa encontrar o idoso onde ele está, incluindo no trabalho. Se o idoso que você ama ainda trabalha por necessidade, ajude-o a encontrar estratégias que reduzam os riscos. Esse cuidado prático é tão valioso quanto qualquer prescrição médica.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
