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Leitura: PEC da Segurança Pública completa 100 dias parada no Senado sem despacho de Alcolumbre
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Jornal Patriota > Blog > Política > PEC da Segurança Pública completa 100 dias parada no Senado sem despacho de Alcolumbre
Política

PEC da Segurança Pública completa 100 dias parada no Senado sem despacho de Alcolumbre

Ebba Norvelli
Ebba Norvelli junho 26, 2026 8 Min de leitura
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8 Min de leitura
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Proposta aprovada com folga na Câmara em março segue sem relator e sem prazo para começar a tramitar, enquanto pesquisas apontam a criminalidade como a segunda maior preocupação dos brasileiros

Contents
O que a PEC propõe mudar na segurança do paísPor que a proposta não avança no SenadoSegurança pesa mais que economia na preocupação dos brasileirosO que pode acontecer a partir de agora

A Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal como a principal resposta legislativa ao avanço do crime organizado no país, está parada no Senado desde março sem que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tenha feito o despacho inicial necessário para que o texto comece a tramitar. Sem esse ato, a proposta não chega à Comissão de Constituição e Justiça, não recebe relator e o prazo regimental de análise nem começa a contar.

A PEC 18/2025 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 4 de março, com ampla margem de votos, e autuada no Senado seis dias depois. Desde então, ela permanece na Secretaria Legislativa com o status de “aguardando despacho”. Mais de três meses depois, a situação não mudou. O texto foi aprovado pela Câmara em 4 de março e, três meses depois, segue aguardando que o presidente do Senado o encaminhe para debate na Comissão de Constituição e Justiça. Congresso em FocoTribuna Online

O que a PEC propõe mudar na segurança do país

A proposta altera a Constituição para reorganizar competências entre União, estados, Distrito Federal e municípios na área de segurança pública. Entre os principais pontos, o texto reforça a integração entre as forças de segurança de todos os entes federativos, dá competência expressa à Polícia Federal para investigar organizações criminosas e milícias com repercussão interestadual ou internacional, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal, autoriza a criação de polícias municipais para policiamento ostensivo e comunitário e constitucionaliza o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional. Congresso em Foco

A ideia central é consolidar o chamado Sistema Único de Segurança Pública, com foco no compartilhamento de informações, padronização de procedimentos e atuação coordenada entre União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado. Outro ponto que chama atenção é o financiamento. A proposta prevê o repasse obrigatório de metade dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário aos estados e ao Distrito Federal, além de criar novas fontes de custeio, como a tributação das chamadas bets e a apreensão de casas de apostas ilegais. Pelo texto aprovado na Câmara, 30% da arrecadação das apostas esportivas passaria a ser destinada aos dois fundos, recursos que hoje financiam o esporte, com a expectativa do governo de ampliar em até R$ 1,5 bilhão o financiamento da segurança pública. Senado + 2

Por que a proposta não avança no Senado

A demora em torno da PEC está diretamente ligada ao desgaste na relação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. Reportagem publicada nesta semana mostra que o impasse se mantém mesmo durante o período junino, quando o Congresso costuma reduzir o ritmo de votações. A situação se repete em outras pautas prioritárias do governo Lula, já que a PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara dos Deputados em março, também aguarda um despacho de Alcolumbre. O Antagonista

Bastidores do Congresso indicam que a indefinição não é apenas burocrática. Lideranças de partidos aliados ao governo relatam que Alcolumbre tem evitado dar respostas objetivas quando questionado sobre o andamento do texto e, em alguns momentos, sinaliza que não pretende levá-lo à votação por agora. Em maio, o presidente do Senado chegou a ser questionado publicamente sobre o tema e reagiu mal à pressão. Ele se queixou a aliados sobre cobranças nas redes sociais para que vote rapidamente a proposta e atribuiu os ataques a uma ação orquestrada pelo governo e por partidos de esquerda. MetrópolesTribuna Online

A indefinição já provocou reação de entidades ligadas diretamente à área. Entidades ligadas à segurança pública e à inteligência enviaram um ofício ao presidente do Congresso cobrando o andamento da proposta, classificando a situação como de “profunda preocupação às categorias representadas”. Segundo o documento, a matéria não pode permanecer indefinidamente paralisada, e o grupo cobra de Alcolumbre o despacho inicial que destravaria a tramitação no Senado. MetrópolesO Cafezinho

Segurança pesa mais que economia na preocupação dos brasileiros

O atraso chama atenção justamente porque o tema tem ganhado peso crescente na avaliação da população. Levantamento mencionado por veículos especializados no Congresso mostra que a segurança pública é hoje o segundo problema que mais preocupa os brasileiros, atrás apenas da saúde, e a preocupação com a segurança já supera até a economia nas pesquisas de opinião. Congresso em Foco

Esse cenário ajuda a explicar a pressa do governo. O Planalto tem pressa porque a ideia é que, assim que a proposta for aprovada, o presidente Lula crie um ministério exclusivamente dedicado à segurança pública, separando o tema da estrutura atual do Ministério da Justiça. Em discurso, o próprio presidente já condicionou essa medida à aprovação do texto no Senado, afirmando que a PEC permitiria ao governo tomar essa decisão e redefinir a atuação federal na área. PlatôBR

Há ainda um temor adicional dentro da base governista quanto ao conteúdo final da proposta. Parlamentares aliados ao Executivo receiam que o Senado promova alterações no texto aprovado pela Câmara, especialmente a reintrodução de pontos retirados durante a votação na outra Casa, como a discussão sobre redução da maioridade penal para crimes cometidos com violência ou grave ameaça.

O que pode acontecer a partir de agora

Por ora, o avanço da PEC depende exclusivamente de uma decisão de Alcolumbre. Sem o despacho, a Comissão de Constituição e Justiça não pode indicar relator nem abrir o prazo regimental de 30 dias para emitir parecer sobre o texto. O cenário se complica ainda mais com a proximidade do recesso parlamentar e o calendário eleitoral de 2026, que tende a reduzir o espaço para negociações em torno de temas sensíveis no segundo semestre.

Enquanto a indefinição persiste em Brasília, o debate sobre segurança pública deve continuar no centro da disputa política rumo às eleições gerais, com cobranças de diferentes lados sobre quem assume a responsabilidade pela demora em uma das pautas mais sensíveis para o eleitor brasileiro.

Fontes consultadas:

  • Congresso em Foco
  • O Antagonista
  • Metrópoles
  • Metrópoles
  • O Cafezinho
  • Tribuna Online
  • PlatôBR
  • Senado Notícias

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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