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Jornal Patriota > Blog > Notícias > Depois que o caminhão passa, o que realmente acontece com o lixo que você descarta?
Notícias

Depois que o caminhão passa, o que realmente acontece com o lixo que você descarta?

Ebba Norvelli
Ebba Norvelli junho 12, 2026 6 Min de leitura
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6 Min de leitura
Marcello José Abbud
Marcello José Abbud
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Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, atua em uma das etapas mais invisíveis da vida urbana: o que acontece com os resíduos depois que o caminhão de coleta dobra a esquina. Para a maioria das pessoas, o lixo simplesmente desaparece. Na prática, ele percorre uma cadeia longa, fragmentada e cheia de gargalos que determina se aquele material vai virar matéria-prima novamente, contaminar um aterro por décadas ou parar num lixão a céu aberto a poucos quilômetros de onde foi gerado.

Contents
Da calçada ao aterro: o caminho mais comum ainda é o pior?O que acontece nos municípios que têm coleta seletiva?O elo que quase ninguém vê: os intermediários da cadeia de reciclagemFração orgânica: o maior volume e o menor aproveitamentoO que muda quando a cadeia funciona de ponta a ponta?

Entender essa cadeia importa por uma razão prática: boa parte das ineficiências da gestão de resíduos no Brasil acontece exatamente nos elos que o cidadão não vê. E boa parte das soluções disponíveis também está lá, esperando ser aplicada.

Da calçada ao aterro: o caminho mais comum ainda é o pior?

Em municípios sem coleta seletiva estruturada, o percurso do resíduo depois da coleta é direto e simples: caminhão, estação de transbordo e aterro sanitário, ou, em casos mais graves, lixão. Não há triagem, não há separação, não há aproveitamento. Materiais recicláveis de alto valor, como alumínio, papel e plástico PET, chegam ao aterro misturados com resíduo orgânico úmido, perdem qualidade rapidamente e se tornam economicamente inviáveis para recuperação.

Como destaca Marcello José Abbud, esse modelo ainda predomina em mais de 70% dos municípios brasileiros. A consequência direta é o desperdício de materiais que poderiam retornar à cadeia produtiva e a aceleração do esgotamento de aterros que já operam próximos ao limite de capacidade em diversas regiões do país.

O que acontece nos municípios que têm coleta seletiva?

Onde a coleta seletiva existe, o resíduo separado pelo cidadão segue para centrais de triagem, que podem ser operadas por cooperativas de catadores, por empresas privadas ou diretamente pelo município. Nessas instalações, os materiais são separados por tipo, prensados ou fragmentados e vendidos para indústrias recicladoras. A qualidade do material entregue pelo cidadão determina diretamente o valor que ele tem no mercado: resíduo seco, limpo e bem separado vale significativamente mais do que material contaminado ou misturado.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

O problema é que a cadeia entre a central de triagem e a indústria recicladora ainda é frágil em muitas regiões. No momento em que o mercado de recicláveis oscila, como ocorreu durante a pandemia, cooperativas ficam sem compradores, o material se acumula e parte acaba indo para o aterro de qualquer forma, frustrando o esforço de separação feito na origem.

O elo que quase ninguém vê: os intermediários da cadeia de reciclagem

Entre o cidadão que separa o lixo e a indústria que transforma o material em nova matéria-prima, existe uma cadeia de intermediários que inclui catadores individuais, cooperativas, empresas de triagem, comerciantes de sucata e distribuidores especializados. Cada elo agrega algum valor, mas também adiciona custo logístico e margem comercial que pode tornar a reciclagem economicamente inviável para determinados materiais em determinadas regiões.

Marcello José Abbud e a equipe da Ecodust Ambiental trabalham com diagnósticos que mapeiam essa cadeia em cada contexto municipal, identificando onde estão os gargalos que impedem o material de chegar à indústria com qualidade e em volume suficiente para tornar a operação sustentável financeiramente.

Fração orgânica: o maior volume e o menor aproveitamento

A fração orgânica representa entre 45% e 60% do lixo doméstico brasileiro e é o componente que menos recebe tratamento adequado. Na maioria dos municípios, ela vai diretamente para o aterro, onde se decompõe, produzindo metano e chorume sem qualquer aproveitamento. Nos poucos lugares onde há usinas de compostagem ou biodigestão, o resultado é fertilizante orgânico ou biogás, produtos com mercado real e crescente. Marcello José Abbud e especialistas da Ecodust Ambiental reconhecem nesse segmento a maior oportunidade de melhoria sistêmica da gestão de resíduos no país.

O que muda quando a cadeia funciona de ponta a ponta?

Municípios que estruturaram a cadeia completa de gestão de resíduos relatam resultados que vão além do ambiental: vida útil dos aterros estendida, custos operacionais reduzidos, geração de renda para cooperativas de catadores e dados reais sobre resíduos que melhoram o planejamento e o acesso a financiamentos com critérios ambientais. Por isso, Marcello José Abbud conclui que a cadeia do lixo é mais complexa do que parece da calçada, mas, quando cada elo funciona bem, ela se transforma em um sistema que gera valor em vez de apenas gerenciar um problema.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Tag:Empresário e especialista em soluções ambientaisEmpresário Marcello José AbbudMarcello AbbudMarcello José AbbudMarcello José Abbud Diretor da Ecodust AmbientalO que aconteceu com Marcello José AbbudQuem é Marcello José AbbudTudo sobre Marcello José Abbud
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