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Jornal Patriota > Blog > Notícias > O que operações reais ensinam sobre liderança que MBA nenhum consegue replicar? Saiba agora com Ernesto Kenji Igarashi
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O que operações reais ensinam sobre liderança que MBA nenhum consegue replicar? Saiba agora com Ernesto Kenji Igarashi

Ebba Norvelli
Ebba Norvelli maio 25, 2026 9 Min de leitura
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9 Min de leitura
Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi
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Assim como pontua Ernesto Kenji Igarashi, ex-coordenador da equipe tática da Polícia Federal, existem lições sobre liderança que só a realidade pode ensinar. Não a realidade simulada em estudos de caso meticulosamente construídos, nem a realidade comprimida em dinâmicas de grupo facilitadas por consultores experientes. A realidade sem edição de uma operação de alto risco, onde as consequências das decisões são concretas, onde a pressão não pode ser pausada para reflexão e onde a qualidade do comando se mede não por avaliações de desempenho mas pela segurança real das pessoas sob sua responsabilidade. 

Contents
Que lições sobre decisão sob pressão apenas o ambiente operacional real consegue transmitir?Como o ambiente operacional real transforma a relação do líder com sua equipe?O que líderes corporativos podem aprender com a cultura de liderança operacional?

Este artigo traduz essas lições para um formato que qualquer líder pode compreender e incorporar, independentemente do setor em que atua. Leia mais a seguir!

Que lições sobre decisão sob pressão apenas o ambiente operacional real consegue transmitir?

Ernesto Kenji Igarashi destaca que a primeira e mais fundamental é a distinção entre decisão certa e decisão oportuna. O ambiente acadêmico de liderança valoriza a análise completa, a consideração de múltiplas variáveis e a construção de consenso antes da ação. Em operações reais sob pressão de tempo e ameaça concreta, essa abordagem é frequentemente inviável e, quando adotada sem adaptação ao contexto, produz resultados piores do que uma decisão boa tomada rapidamente. Líderes que passaram tempo suficiente em campo aprendem a reconhecer o ponto em que informação adicional não melhorará significativamente a qualidade da decisão, e a agir nesse ponto com convicção, mesmo que a imagem completa da situação ainda esteja incompleta. Essa habilidade de decidir com informação suficiente, e não com informação completa, é uma das mais difíceis de desenvolver em ambientes nos quais a perfeição analítica é sempre possível porque as consequências podem esperar.

A segunda lição é sobre a diferença entre autoridade e influência sob pressão extrema. Num ambiente operacional de alto risco, a hierarquia formal existe e tem seu papel, mas o que move as pessoas em momentos de crise real não é o posto ou o cargo do líder: é a confiança construída ao longo do tempo através de competência demonstrada, de coerência entre palavras e ações, e da percepção de que o líder está genuinamente comprometido com a segurança e o sucesso de cada membro da equipe. Os líderes que dependem exclusivamente da autoridade formal para se fazer ouvir em situações normais descobrem que esse tipo de autoridade se dissolve rapidamente quando a pressão é real. Os que construíram influência baseada em confiança descobrem que ela se amplifica exatamente quando mais precisa funcionar.

Nesse quesito, Ernesto Kenji Igarashi expõe que a terceira lição que o campo transmite de forma insubstituível é sobre a gestão da própria resposta emocional como componente da liderança. Em ambientes corporativos, a inteligência emocional é ensinada como habilidade de relacionamento interpessoal. Em operações de alto risco, ela é uma habilidade de sobrevivência: líderes que perdem o controle do próprio estado emocional em situações de crise transmitem isso para a equipe de forma imediata e automática, amplificando o pânico ou a desorganização no momento em que a equipe mais precisa de um ponto fixo de referência. O líder que aprendeu a regular sua resposta fisiológica ao estresse, a manter a voz estável quando tudo ao redor está em colapso e a projetar calma controlada sem negar a gravidade da situação, desenvolveu uma habilidade de liderança que nenhuma simulação corporativa consegue replicar com fidelidade suficiente.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Como o ambiente operacional real transforma a relação do líder com sua equipe?

A responsabilidade concreta pela vida de outras pessoas muda a natureza do compromisso do líder de uma forma que não tem equivalente em outros contextos de gestão. Um gerente de projeto que falha numa entrega tem consequências profissionais e financeiras. Um líder operacional que falha na proteção de sua equipe ou de seu protegido tem consequências que não se medem em indicadores de desempenho. Essa assimetria de consequências cria um nível de comprometimento com a excelência operacional, com o preparo contínuo e com o cuidado genuíno com cada membro da equipe, que é muito difícil de replicar em ambientes onde as apostas são predominantemente simbólicas ou financeiras.

Como menciona o ex-coordenador da equipe tática na Polícia Federal, Ernesto Kenji Igarashi, a confiança mútua dentro de equipes operacionais de alto desempenho é construída de uma forma específica que a maioria dos programas de desenvolvimento de equipes corporativas não consegue reproduzir. Ela é forjada na experiência compartilhada de situações difíceis, na observação mútua de como cada membro responde sob pressão, no histórico acumulado de decisões corretas em momentos críticos. Essa confiança não precisa ser declarada porque é evidenciada pelo comportamento; e sua ausência também não precisa ser declarada: ela é percebida de forma imediata quando a situação exige ação coordenada sob pressão. Líderes que vivenciaram a diferença entre uma equipe com essa confiança forjada e uma equipe sem ela carregam uma compreensão da função da cultura de equipe que nenhum workshop de dois dias consegue transmitir.

O feedback operacional, que no campo se manifesta como resultado imediato e inequívoco das decisões tomadas, desenvolve no líder uma capacidade de aprendizado acelerado que ambientes corporativos raramente replicam. Quando a consequência de uma decisão errada é visível, concreta e imediata, o ciclo de aprendizado é comprimido de meses ou trimestres para horas ou minutos. Líderes que passaram tempo suficiente recebendo esse tipo de retroalimentação desenvolvem uma intuição sobre tomada de decisão em condições de incerteza que é genuinamente difícil de construir por outros meios, e que se traduz em vantagem significativa quando esses profissionais atuam em contextos de gestão corporativa onde a ambiguidade e a pressão temporal também estão presentes, mesmo que em formas diferentes.

O que líderes corporativos podem aprender com a cultura de liderança operacional?

A cultura de responsabilização sem culpabilização que equipes operacionais de alto desempenho desenvolvem é um dos elementos mais transferíveis e ao mesmo tempo mais raros no universo corporativo. O princípio é simples na formulação, mas complexo na implementação: cada erro é analisado com profundidade para extrair o aprendizado máximo, sem que esse processo seja usado para punir indivíduos ou criar cautela defensiva que impeça a tomada de iniciativa. Organizações corporativas que conseguem criar genuinamente essa cultura liberam um potencial de aprendizado e inovação que estruturas de responsabilização punitivas sistematicamente suprimem.

A disciplina de preparo como investimento permanente, e não como resposta a uma crise, é outro princípio que o ambiente operacional ensina, de forma que o corporativo frequentemente ignora, comenta Ernesto Kenji Igarashi. Equipes operacionais de alto desempenho treinam continuamente não porque exista uma ameaça imediata identificada, mas porque compreendem que a preparação precisa existir antes da necessidade, não como resposta a ela. A transferência desse princípio para o ambiente corporativo, onde o treinamento frequentemente é acionado apenas em resposta a problemas identificados, representa uma mudança de paradigma com potencial de impacto significativo na resiliência organizacional.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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