Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues contextualiza a mamografia com contraste como uma ferramenta que combina a lógica da mamografia digital com informações funcionais, relacionadas ao realce após a administração de contraste iodado. Na prática, o exame busca evidenciar padrões de vascularização que podem aparecer em alguns tipos de lesão mamária, ajudando a separar achados duvidosos de situações que pedem investigação mais direta. Ainda assim, o método não existe para “substituir” o rastreamento convencional, pois sua utilidade depende de pergunta clínica bem formulada e de um fluxo diagnóstico organizado.
Nesse sentido, a indicação precisa ser tratada como uma escolha técnica, não como um atalho para reduzir ansiedade. Quando a paciente entende por que o contraste foi proposto, o que ele pode acrescentar e quais limitações permanecem, o resultado tende a ser um percurso mais racional e alinhado à prevenção do câncer de mama.
O que diferencia a mamografia com contraste da mamografia de rotina
A mamografia de rastreamento, em geral, trabalha com alterações estruturais, como nódulos, assimetrias e microcalcificações, além de sinais indiretos. Já a mamografia com contraste adiciona uma camada de informação ao observar realces após a injeção do contraste, o que pode auxiliar na caracterização de alguns achados. Entretanto, realce não é sinônimo de câncer, porque inflamações, alterações benignas e variações fisiológicas também podem produzir padrões que exigem leitura criteriosa.

Na interpretação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o maior valor está em reduzir zonas cinzentas quando a imagem anatômica, sozinha, deixa dúvidas relevantes. Assim, o exame tende a ser mais útil quando há uma pergunta específica a responder, por exemplo, qual área merece biópsia, qual achado pode ser acompanhado e qual precisa de avaliação complementar com outro método.
Cenários em que o exame costuma entrar como complemento
A mamografia com contraste pode ser considerada quando há inconclusões que persistem mesmo após incidências adicionais e ultrassom direcionado, desde que exista coerência entre achados e conduta esperada. Também pode aparecer como alternativa em contextos nos quais a ressonância de mamas seria desejável, mas está indisponível ou contraindicada por razões clínicas, desde que o serviço tenha protocolo e experiência na execução e na leitura.
Sob a perspectiva de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o ponto central é que a indicação deve respeitar a finalidade do exame naquele momento. Por outro lado, em rastreamento de rotina sem fatores que justifiquem um complemento funcional, a escolha tende a trazer mais custo e mais chance de achados incidentais que aumentam a cascata de investigação, sem ganho proporcional para a paciente.
Cuidados antes do procedimento e segurança no uso do contraste
Como envolve contraste iodado, é indispensável avaliar risco de reação alérgica, função renal e histórico clínico relevante, além de seguir orientações do serviço para preparo. Também é importante organizar documentação, incluindo exames anteriores e informações sobre sintomas, cirurgias e tratamentos, porque o contexto direciona a comparação e reduz interpretações equivocadas.
Conforme apresenta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, segurança também é processo, não apenas uma checagem pontual. Isso inclui triagem adequada, equipe treinada para lidar com intercorrências, tempo de observação quando indicado e padronização na administração do contraste, pois pequenas variações técnicas podem impactar a qualidade do realce e, consequentemente, a confiança do laudo.
Como interpretar o resultado sem conclusões precipitadas
O laudo da mamografia com contraste precisa ser lido com o mesmo cuidado do laudo mamográfico tradicional, considerando padrão, distribuição e intensidade do realce, além da correlação com as imagens anatômicas. Desse modo, a decisão raramente nasce de um único sinal isolado, porque o risco real é transformar um achado inespecífico em motivo de alarme. Ainda assim, quando o exame aponta uma área com características consistentes, ele pode orientar de forma mais precisa a etapa seguinte, como um ultrassom focal, uma biópsia guiada ou uma ressonância.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues elucida que o melhor desfecho é aquele em que o exame encurta a dúvida com método, não com urgência emocional. Por fim, a mamografia com contraste faz mais sentido quando integra um plano de cuidado, com acompanhamento, comunicação clara do que foi visto e definição objetiva do próximo passo, mantendo a prevenção do câncer de mama como objetivo e evitando investigações desnecessárias.
Autor: Latos Simys
